terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Estudo do Humanismo - 04/11/2010

Seguindo o nosso programa de aulas, foi a vez de entender o que explica a corrente humanista.

O humanismo teve origem nos Estados Unidos, na década de 60 e surgiu como uma espécie de 3a via, de modo que a sua intenção era substituir as duas correntes existentes: a do comportamento e a psicanálise. A psicologia humanista nasceu a fim de reagur ao determinismo que preenchia as teorias anteriores, ensinando que o homem possui dentro dele um poder de se auto realizar, contrariando as outras visões, que tinham enfoque majoritário no componente patológico e nos distúrbios. E esse poder consegue levar o ser humano ao desenvolvimento de uma personalidade espontânea e criativa.

O humanismo diverge da corrente behaviorista por não aceitar a idéia do ser humano como máquina ou animal, a mercê dos processos de condicionamento. Quanto à Psicanálise, a reação foi à ênfase dada no inconsciente, nas questões biológicas e eventos passados, nas neuroses, psicoses e na divisão do seu humano em compartimentos. E que nem tudo se explica através dos conflitos sexuais internos.

Desse modo, pode-se afirmar que a corrente humanista caracteriza-se por:
  • enfatizar o sujeito pensante e aquilo que é consciente. Só existe para mim, aquilo que eu tenho consciência;
  • acreditar na essência humana como algo bom, na integridade da natureza e na conduta do ser humano;
  • se concentrar na livre vontade, na espontaneidade e no poder de criação do homem;
  • não ser uma teoria superficial, uma vez que estuda aquilo que é relevante para o ser humano;
  • enxergar o homem como um todo complexo e organicamente integrado, cujas qualidades únicas vêm da sua configuração total.
E essa espécie de força natural do homem, porém, é geralmente impedida por fatores externos de se desenvolver satisfatoriamente. A psicologia humanista busca, assim, uma humanização da psique, considerando o homem como um processo em construção, detentor de liberdade e poder de escolha.

Um dos teóricos humanistas, Abraham Maslow, criou uma escala de necessidades a serem satisfeitas e, a cada conquista, uma nova necessidade surgia. Isso faria com que o indivíduo fosse buscando sua autorrealização, pelas sucessivas necessidades satisfeitas. Vejam a pirâmide:


Na aula, também aprendemos que Carl Rogers, talvez o maior psicólogo humanista, afirmou que o processo terapêutico consiste em um trabalho de cooperação entre psicólogo e cliente, cujo objetivo é a descoberta do núcleo básico da nossa personalidade, obtendo-se com isso a descoberta ou redescoberta da auto-estima, da auto-confiança e do amadurecimento emocional.

Segundo Rogers, para ocorrer essa descoberta são necessárias três condições básicas, dentro do relacionamento entre o psicoterapeuta e o cliente:
  • a consideração positiva incondicional, no qual o psicoterapeuta aceita incondicionalmente os pensamentos dos seus clientes;
  • a empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do cliente, ver o mundo a partir do ponto de vista dele e entender como ele se sente, comunicando tal situação para ele;
  • a congruência, nome dado à habilidade do psicoterapeuta de expressar de modo objetivo seus sentimentos e percepções, de modo a permitir ao cliente a integração entre as experiências do organismo e o self (percepção do sujeito sobre como ele é, ao relacionar as experiências internas e a realidade externa).
Rogers também falou da existência do self ideal, que é a percepção de como o indivíduo deseja ser/quer ser. E os desconfortos, as insatisfaçaões, as angústias psicológicas surgirão da desarmonia entre o autoconceito real e o ideal para si, ou seja, entre o self e o self ideal. Aceitar-se como se é na realidade, e não como se quer ser, é um sinal de saúde mental. A imagem do self ideal, na medida em que se diferencia de modo claro do comportamento e dos valores reais de uma pessoa é um obstáculo ao crescimento pessoal.

Pude notar que o processo psicoterapêutico, lançado por Carl Rogers, diferencia-se da terapia psicanalítica porque o primeiro concentra-se na pessoa, não em teorias, como ocorre na Psicanálise. Diferentemente do humanista, que aceita sem restrições o que o cliente lhe informa, o psicanalista apenas o "escuta", como se fosse uma espécie de vazio, não sendo ele o sujeito, mas sim quem está sendo analisado. Entretanto, a principal crítica feita à abordagem centrada na pessoa é a de que clientes com problemas mais graves não possuem condições de realizar uma autopercepção, pois não possui controle emocional suficiente. Ainda assim, tal teoria possui muitos adeptos, inclusive a minha simpatia, por valorizar mais as pessoas, adaptando as teorias a elas, e não o contrário.

Para finalizar a aula, a professora nos deu um exemplo de como o homem pode se desenvolver conscientemente, a partir das suas próprias vontades, do livre-arbítrio. Trata-se da escola democrática de Summerhill (foto), localizada na Inglaterra. Nela, as vontades de cada pessoa são aceitas democraticamente; os alunos possuem os mesmos direitos que os organizadores e demais funcionários da escola; não há repressão, como na maioria das escolas; todos participam da elaboração das normas de Summerhill. Uma criança, por exemplo, pode, se quiser, desistir de ver quantas aulas desejar. Porém, ela pode perceber, a partir da sua consciência, se tal atitude a prejudica ou não. Segundo Neill, fundador de Summerhill, "uma criança deve viver a sua própria vida - não uma vida que seus pais acreditem que ela deva viver, não uma vida decidida por um educador que supõe saber o que é melhor para a criança."


Quero encerrar esta postagem, trazendo algumas citações de Carl Rogers, ao defender a aceitação do indivíduo como ele é e nos benefícios que isso proporciona. Na contemporaneidade, muitas pessoas acreditam ser aquilo que, na verdade, desejam para si e não o que realmente são. E isso acaba causando problemas quanto à saúde mental delas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário